desapego 101

Se mudar para outro país requer desapego. Parto para os Estados Unidos na semana que vem com duas malas, contendo todos os pertences que vou levar dessa vida para aquela. Claro que ficam aqui caixas dos meus bens mais preciosos: livros, artigos de decoração, utensílios de cozinha. Mas não fazia sentido para mim deixar um guarda-roupas cheio de peças pegando mofo durante dois anos. Peças que, provavelmente em breve, não vou mais querer usar.

Para me livrar de muitas dessas coisas (eu costumo fazer faxinas frequentes no armário e já tinha separado algumas que já não serviam mais ou que estavam abandonas) e arrecadar uma graninha para equipar minha nova casa em Chicago, organizei um brechó. Me baseei em brechós de troca que fazia com as amigas e em eventos que vi algumas meninas organizando na UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina). Deu super certo!

lojinha organizada

muchas cosas

cabides iguais, reparem.

rolou até um cafezinho com bolo

Além de juntar um bom dinheiro, foi super legal ver pessoas saindo felizes com peças que eu não usava mais. As roupinhas vão ver a luz do dia e ser muito melhor aproveitadas por outra pessoa.

Então fica aqui meu apelo: troquem, vendam, doem! Vamos colocar essa rouparada esquecida para circular. Pra ajudar, compartilho aqui um pouquinho da minha experiência:

Formas de desapegar

– Organizar um brechó:

Essa foi minha forma preferida até agora. Tanto na versão de troca quanto de venda. Em Florianópolis, minhas amigas costumavam marcar brechós de troca em que todo mundo levava suas peças e cada uma ia escolhendo o que queria. Consegui coisas lindas nesses encontros. E ainda por cima foi divertido ver as meninas, fazer um lanchinho, colocar  a fofoca em dia…

O brechó de venda deu um pouco mais de trabalho para organizar. Mas eu, que adoro planejar e arrumar coisas, fiz isso tudo muito feliz. Tem que definir os preços, colocar etiquetas nas peças, conseguir troco para o caixa, pensar em como as pessoas vão levar as peças para casa, ver onde vai ser o “provador”, organizar as peças de uma forma que fique fácil para vê-las… Eu praticamente montei uma lojinha, ainda assei um bolo para as convidadas e selecionei playlists para a trilha sonora. No fim foi super divertido! E acho que as meninas curtiram também. O principal para mim era colocar preços bem baixos, para fazer valer a pena para quem comprasse. Qualquer coisa que eu cobrasse já estaria no lucro (considerando que a outra opção era dar tudo), então era importante para mim que o comprador tivesse vantagem também. Procurei cobrar no máximo $40 (em casacos bons de inverno) e manter a grande maioria das peças de $5 até $20.

Dica: Divulgue! Crie um evento no Facebook e poste fotos das roupas com preço; mande mensagens para as amigas; imprima mini cartazes e espalhe no trabalho, na universidade, etc. Eu pensava até em criar promoções para quem levasse uma amiga junto, mas na correria não deu tempo de bolar isso.

– Vender em comunidades de Facebook:

Lembram quando contei da minha experiência vendendo um shorts pelo Facebook? É uma forma legal de se conectar com pessoas que você não conhece. Mas é melhor para quando você tem uma peça específica que quer vender, na minha opinião. Esse mês entrei em uma comunidade de Rio do Sul e postei várias peças, no fim estava enlouquecendo com todos os comentários. Saí um dia para levar peças para várias meninas e a maioria não deu certo. Aí meio que cansei e desisti. Você tem que pensar nessa logística de como entregar as peças antes de vender nessas comunidades. Uma forma de aproveitar essa opção é combinar um brechó através da comunidade, assim você amplia o círculo de convidadas e concentra as vendas em um momento e um lugar só. Dá até para marcar uma “feirinha”, com várias pessoas levando suas peças. Na UFSC o pessoal costumava marcar esse tipo de coisa em lugares públicos, o que achei legal.

– Vender pela Internet:

A Internet é um universo maravilhoso onde distâncias desaparecem, mas vale lembrar que não dá para mandar encomendas anexas em e-mail. Para vender na Internet você tem que pensar em como vão funcionar os pagamentos e como vão funcionar suas entregas. Existem várias formas, claro, e eu não sou expert nelas… Mas vou contar minha breve experiência.

Para facilitar a vida, usei a plataforma do enjoei.com para vender alguns desapegos. A ideia do site é muito legal – uma plataforma feita especificamente para vender as coisas que você não quer mais, sejam elas novas ou usadas. Ele tem várias vantagens: eles coletam o pagamento assim que o comprador faz o pedido e só liberam para você quando o pedido for recebido, dessa forma as duas partes se sentem seguras. E você pode optar que o site recolha o valor do frete do comprador — eles têm um convênio com os Correios e te mandam a etiqueta para colar no pacote, assim você não precisa pagar nada para mandar. Mas também tem suas desvantagens… a comissão do site é altíssima, 20%, e é cobrada uma taxa de 2,15 pelo anúncio (só quando o produto é vendido). Então você acaba tendo que cobrar mais caro que cobraria normalmente. No fim das contas, funciona super bem se você souber o que está fazendo.

Quando eu não soube o que estava fazendo: eu tinha um óculos que estava vendendo no meu brechó a R$5. Achei que ninguém ia querer pagar o frete mais caro que o produto, então coloquei o preço de R$ 20 com frete por minha conta. Vendeu. O valor a receber, descontando a comissão e taxa, era de 13,85. A menina que comprou era de Minas, e quando cheguei no correio descobri que o valor do frete era R$ 20. Ou seja: gastei dinheiro para me livrar do óculos. Minha lição nisso é: NUNCA ofereça frete grátis. 1 – porque você vai pagar comissão em cima do preço do frete, 2 –  porque você pode acabar saindo no prejuízo, e 3 – porque o frete pelo site sai inclusive mais barato para o comprador, por causa do convênio deles.

Claro que existem outras formas de vender na Internet: mercado livre, ebay, etsy (só se a peça for vintage = com mais de 20 anos), etc… ou até mesmo criando seu próprio site. É uma questão de pesquisar.

– Fazendo uma doação:

Não é porque dá para ganhar um dinheiro vendendo roupas que a gente deve parar de doá-las. Sempre tem algumas peças quentinhas que vale a pena separar para a campanha do agasalho, e tudo aquilo que sobra dos brechós de venda ou troca pode também ser doado depois. Eu gosto de doar para brechós beneficentes, onde eles vendem as peças a valores super baixos para pessoas que precisam delas e aproveitam os lucros para outra causa. Ou seja: a doação tem benefício duplo.

 

 

Quem tiver outras dicas para compartilhar, deixa um comentário (; Vamos devolver as roupas ao mundo, gente ❤

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chicago bound!

Não quero nem fazer as contas de quanto tempo passei sem postar por aqui. E um dos motivos do sumiço é o assunto deste post: estou me mudando para Chicago!

Em abril descobri que fui aceita nos mestrados de escrita criativa nos quais me inscrevi nos Estados Unidos, e desde então foi uma maratona de passaporte, visto, matrícula, etc, enquanto eu terminava de escrever o livro sobre a história do meu avô e resolvia pendências por aqui. Mas deu tudo certo e na próxima terça-feira embarco rumo à Windy City. No dia 27 de agosto começo o MFA Writing na School of the Art Institute of Chicago.

Então vou usar esse espaço para compartilhar as aventuras na nova vida, fotos, descobertas e receitinhas que vão surgir por lá. Espero que gostem dos novos ares!

misto de cogumelos

sanduíche

Depois que eu fiz aquele spaghetti do último post, sobraram meia dúzia de cogumelos na minha geladeira. O que, depois de você aprender essa receita do Jamie Oliver, é maravilhoso!

Você pode pensar: o que eu posso fazer com menos de um punhado de cogumelos? Seria até uma vergonha refogar eles, iriam desaparecer. Mas essa receita rápida rende um lanche delicioso com apenas TRÊS cogumelos (ou no meu caso, em que eram bem pequenininhos, seis). E ainda tem um truque que pode ser aplicado a uma variedade de mistos. Tudo que você precisa é de uma sanduicheira e dos seguintes ingredientes:

Ingredientes

2 fatias de pão (eu usei integral)

3 cogumelos paris, cortados em fatias grossas

queijo ralado ou fatiado (eu usei prato mesmo, mas dá para variar. gruyére ficaria ótimo!)

um punhado de folhas de rúcula, cortadas em tiras

limão siciliano

sal e pimenta do reino

azeite de oliva

4 fatias de salame

 

Modo de preparo

Passe um pouquinho de azeite de oliva dos dois lados de uma fatia de pão. Coloque o queijo e ajeite os cogumelos por cima, crus mesmo, um do lado do outro. Tempere com sal e pimenta. Coloque as folhas de rúcula por cima e tempere com algumas gotas de limão (pode ser generoso aqui, é o que dá o gostinho especial). Feche com a outra fatia de pão e passe mais um pouquinho de azeite de oliva do lado de fora.

Agora vem o truque: na hora de colocar na sanduicheira, ponha as fatias de salame do lado de fora do pão, em contato com a chapa. Feche sem apertar o pão* e deixe tostar bem. Na minha sanduicheira, deixo a luz verde acender duas vezes.

* Tem dois tipos de sanduicheira: aquela clássica que corta o pão no meio na diagonal e deixa as metades “gordinhas”, e aquela que é como se fosse um gril e que deixa o pão todo plano. Se a sua for a primeira, pode fechar normalmente. Se for a segunda, como a minha, não esmague o pão. apenas deixe o peso da tampa pressionando o sanduíche.

 

E é só comer! O cogumelo cozinha perfeitamente, a rúcula com limão deixa saboroso e o salame do lado de fora fica tostadinho. Já comi de janta, de café da manhã, e até de almoço. Recomendado! A receita é do livro “Jamie Oliver: 15 minutos e pronto”.

spaghetti integral com molho cremoso de cogumelos

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Olá, pessoas! Long time don’t see. Estou devendo vários posts já. Mas como fiz um macarrão rapidinho para o almoço hoje, deixo por aqui a receita.

Depois que descobri que de vez em quando tem bandejinhas de cogumelo baratas no mercado aqui em Rio do Sul, tenho comprado eles com mais frequência. Adoro cogumelos. Andei fazendo bastante sanduíches e risotos, e hoje resolvi experimentar um molho simples e super cremoso para acompanhar spaghetti integral. Diga-se de passagem, escrever o post me deixou com vontade. Deixo vocês com a receita e vou lá esquentar o prato que sobrou:

Ingredientes (serve 2 a 3 pessoas)

1/2 pacote de spaghetti integral

2 colheres de sopa de manteiga

1/2 cebola pequena picada

5 dentes de alho picados

1 bandeja de cogumelos paris (preferencialmente pequenos)

1/2 xícara de vinho branco

1 caixinha de creme de leite

tempero verde

sal e pimenta do reino

 

Modo de preparo

Enquanto o macarrão cozinha, derreta a manteiga em uma panela e refogue a cebola e o alho por alguns minutos. Fatie os cogumelos em fatias grossas e junte à panela. Acrescente o vinho e deixe evaporar. Tempere com sal, pimenta do reino moída na hora e tempero verde (eu prefiro salsa com cogumelos, mas como não tinha usei cebolinha). Escorra o macarrão quando estiver al dente. Junte o creme de leite aos cogumelos, que vão ter soltado uma água que vai se misturar ao molho. Quando estiver começando a ferver junte o macarrão na panela até ficar todo coberto pelo molho.

Voilà!

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As coisas que eu precisava dizer sobre o fim de HIMYM

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*Spoiler alert, obviously!

 

O episódio final de How I Met Your Mother causou reações extremas nos fãs da série — o que era de se esperar, dado o tempo que todos estão esperando por várias respostas. Minha opinião, porém, é ponderada. Principalmente porque eu vi duas coisas nessa finale — o que a série poderia ter sido e o que ela realmente foi.

Dá para ver que essa era a ideia dos criadores quando eles fizeram o piloto. Indício que eles sabiam anteriormente que esse seria o final da série é a cena final, com os filhos — que foi gravada anos atrás, antes que os atores crescessem demais. Inclusive por isso a dinâmica do diálogo deles com o Ted está meio travada nesta cena, me parece. Só me pergunto se fizeram mais de uma alternativa de final com os atores na época, para que eles não soubessem o fim.

Bom, se esse era o final imaginado desde o início, explica por que a história começou com “and that’s the story of how I met your aunt Robin”. Faz sentido. Também explica por que na concepção original dos criadores a mãe só apareceria no último episódio da série. Ia aparecer essa mulher que nunca vimos antes, da qual provavelmente saberíamos muito pouco, e cortaria para a cena final com os filhos. Eu lembro que, antes de começar a nona temporada, quando eles anunciaram que essa era a ideia original que eles haviam abandonado, eu achei que seria revoltante — como assim o Ted vai acabar com uma pessoa que a gente nem vai chegar a conhecer? Agora faz sentido.

O problema é que uma série com um final definido não tem longevidade de nove temporadas. Se tivéssemos visto esse final depois de quatro ou cinco temporadas, em um momento em que não tivessem sido esgotadas todas chances entre Ted e Robin; em que ele não tivesse dito infinitas vezes que amava ela, e ela infinitas vezes que não amava ele; em que não tivéssemos aprendido a gostar mais deles como amigos do que como casal; em que a série ainda não tivesse passado anos tentando nos convencer que Robin e Barney deveriam ficar juntos; em que não estivéssemos tão desesperados por conhecer a mãe… teria sido diferente.

Eu gosto da combinação Piloto + Finale. Gosto da ideia que motivou a série. Sempre tive uma queda por Ted e Robin. E gosto da ideia de que tanto a mãe quando a Robin são amores da vida do Ted. Mas acho que o constante alongamento da série fez com que o final se tornasse menos satisfatório para a maioria. Mesmo que eles tivessem mantido o fôlego narrativo e cômico sem perder qualidade ao longo dos anos, no fim inevitavelmente aconteceria uma ruptura depois de tudo que passamos com esses personagens.

E isso que eu particularmente nunca liguei tanto assim para a mãe — estava mais interessada em ver a vida dos personagens do que em finalmente conhecer a futura esposa do Ted.  E no espírito de “the journey is the best part”, vou falar um pouco do que How I Met Your Mother acabou sendo na realidade, pelo menos para mim.

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Li em um texto que diz que no fim das contas descobrimos que a Robin era a soul mate do Ted all along. Discordo. Para mim a Tracy é a Linda McCartney dele — os dois se conhecem nas circunstâncias mais incríveis, são perfeitos um para o outro, vivem felizes e conquistam tudo que queriam da vida. Ted finalmente encontra “the one”, e a Tracy descobre que pode existir “more than one”. E gosto do que o Huffington Post aponta — Ted estava tão ocupado vivendo e sendo feliz que demorou sete anos para finalmente se casar, o que costumava ser o grande sonho dele.

Se ela não ficasse doente, eu acredito que eles viveriam “felizes para sempre” — com os problemas e dificuldades de qualquer casal, mas acredito que ficariam juntos e seriam felizes. Talvez quem sofresse nesse cenário fosse a Robin, que viu seu casamento com Barney acabar e, apesar de ter grande sucesso na carreira começou a sentir um vazio. Na vida caótica dela talvez não houvesse espaço para conhecer alguém novo — e com todas as fobias de relacionamento que ela já tinha e os traumas que passou, ela talvez nem estivesse aberta a isso.

O que aconteceu pra mim foi que o plano que o Ted e a Robin haviam abandonado, do “if we’re still single at 40”, acabou se realizando por linhas tortas. Os dois encontraram pessoas que amaram mais do que um dia haviam amado um ao outro, e por razões diferentes perderam esses relacionamentos. Na minha opinião, o relacionamento dos dois depois de todos esses anos é um consolation prize — talvez seja um maravilhoso consolation prize, mas não é um reencontro do destino que sempre havia sido meant to be. E isso é ok — a vida acontece, a gente muda, perde coisas e pessoas, e é preciso move on.

Esse final foi a definição de bittersweet. E eu gosto de bittersweet, então não, não fui uma das pessoas que odiou o final. Acho que várias coisas podiam ter sido melhor executadas… principalmente a última temporada como um todo (o que sim, eu odiei a maior parte do tempo — os pontos de luz geralmente eram as aparições da mãe). Estou demorando um pouco para processar, e fica um pouco do gosto amargo na boca. Mas decidi focar no sweet — antes de dormir liguei o Piloto no Netflix e fui relembrada de “how Ted met aunt Robin” e de quão ingênuos éramos todos nós nove anos atrás.

No que diz respeito a consolation prizes, sempre torço para que Paul e Nancy sejam eternamente felizes. Adiciono Ted e Robin à minha lista agora.

 

 

P.s.: POR QUE precisavam imortalizar a Robin na cena final com aquele cabelo HORROROSO? Se algum dia eu quiser fazer aquele corte, não me deixem, por favor…

ragu de vegetais

Ontem eu saí do escritório um pouco mais cedo para fazer almoço. Estava sozinha e abri a geladeira para ver o que dava para inventar… E encontrei vários legumes, alguns tristes e abandonados querendo estragar. Aí tive uma revelação! Lembrei de uma receita do Jamie Oliver de fusilli integral com ragu de vegetais e frango. Eu já estava fazendo arroz multigrãos com cogumelos, então decidi fazer só o ragu mesmo como acompanhamento pra um almocinho vegetariano. A receita é super versátil! E rápida de fazer. É uma boa ideia para aproveitar os restos de legumes no fim da semana.

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Ragu de vegetais

rende o suficiente para rechear 6 panquecas/cannellonis (com ricota) ou para servir de acompanhamento para 2 pessoas

Ingredientes

Vegetais

—   Eu usei ½ abobrinha, ½ berinjela, ½ cenoura, ¼ de um pimentão verde pequeno, 1 pimenta vermelha sem as sementes (deixei cair só algumas)

—   Na receita do Jamie (para 4 pessoas), vai 1 alho poró, 1 talo de salsão, 1 cenoura, 1 abobrinha, 3 pimentões vermelhos em conserva

Alho*

Azeite de oliva

Tomilho ou alecrim fresco

Passata ou extrato de tomate

*Não vai alho na receita original. Eu senti falta dele no final, então joguei alguns flocos de alho desidratado quando estava quase pronto. Pra quem gosta, acho legal colocar um dente já junto com os vegetais

Preparo

Corte os vegetais grosseiramente e coloque em um processador de alimentos até ficar tudo picado bem miudinho.

Coloque o azeite para esquentar em uma panela e acrescente os vegetais e o tomilho ou alecrim com uma pitada de sal e pimenta. Como eu tinha pimentão cru (e você possivelmente tenha alho), refoguei essa mistura por vários minutos.

Eu não sabia o que era passata de tomate (é um molho feito só de tomate, sem pele e sem sementes), então usei extrato mesmo — 3 colheres de chá e um pouco de água. Então adicione a sua opção de tomate e deixe cozinhar em fogo baixo.

Experimente o tempero… e é isso! Está pronto. Fica parecendo um ragu mesmo.

Cogumelos refogados

Eu sempre preparo cogumelos assim… dá para usar em sanduíches, risotos, molhos…

Ingredientes

Cogumelos paris fatiados

Salsa ou cebolinha picada

manteiga ou azeite

sal e pimenta

shoyu

Preparo

Derreta um pouco de manteiga (ou aqueça o azeite) em uma frigideira grande. Acrescente os cogumelos e refogue brevemente, já que eles cozinham super rápido. Acrescente a salsa ou cebolinha, tempere com sal, pimenta e uma colher de shoyu. Tire do fogo antes que ele amoleça demais.

Eu servi com arroz multigrãos cozido normalmente, no qual eu joguei o caldinho dos cogumelos que ficou na frigideira.

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Bônus!

Ha! Como sobrou meia porção do ragu, usei ele como recheio para cannellonis, já que tinha sobrado massa de quando minha mãe fez lasanha. Eu acho que esse recheio combinaria mais com panquecas… mas o procedimento é o mesmo, então aí vai:

Cannelloni/panqueca com ragu de vegetais

Despedace uma fatia grossa de ricota e tempere com sal e azeite de oliva. Espalhe a ricota e o ragu dentro da massa e enrole. Cubra com molho branco ou de tomate e queijo e coloque no forno bem quente até dourar.

Bom, o meu resto de ragu só deu para três cannellonis… então fiz um outro recheio para os demais:

Cannelloni de bacon com cogumelos

Frite tirinhas de bacon na frigideira até ficarem dourados, então retire o excesso de gordura. Acrescente um pouco de azeite e cogumelos paris fatiados e refogue até eles ficarem macios. Despedace um pouco de ricota, tempere com azeite e adicione os conteúdos da frigideira. Recheie a massa com a mistura e enrole-a. Cubra com molho branco e queijo e leve ao forno bem quente até dourar.

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And there you have it! Dois almoços (;

E logo logo vem o prometido post sobre Budapeste…

reeeecapitulando

Estou com vergonha. Sabe quando você esquece de devolver algo que pegou emprestado de um amigo e fica com vergonha sempre que encontra com ele e se lembra disso? Esse tipo de vergonha. Cada vez que pensava “ah! posso postar isso no blog”, desde que voltei de férias, lembrava de todas as coisas da viagem que prometi escrever por aqui mas nunca o fiz… E aí simplesmente não aparecia mais por aqui. Pois, quanto mais o tempo passa pior fica, então agora é a hora de quebrar o silêncio!

Agora já faz mais de um mês que voltei da Europa, mas vi/fiz/comi tanta coisa legal por lá que vale a pena recapitular (; Como a viagem durou três semanas e passou por três lugares bem diferentes, vou dividir as coisas… começando pela Alemanha!

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Nossa primeira parada foi Nürnberg.  O mercado de Natal da cidade é um dos mais antigos da Alemanha, e tem várias decorações fofas e comidas típicas. Experimentamos as nürnberger würstchen, linguiças alemãs típicas da região, que são pequenas, fininhas e bem saborosas. Também tomamos o tradicional glühwein (o quentão alemão) e comemos crepe de chocolate kinder (coisa que eu lembrava da Winter Wonderland em Londres… nham).

Passamos a véspera de Natal por lá, o que foi ótimo com exceção do cardápio da ceia: o pato selvagem servido de prato principal foi uma das coisas mais bizarras que já experimentei na vida. Eca. Em compensação, fiz as pazes com as vieiras, que eu tinha achado meio nojentas quando as comi em outra ceia de Natal anterior, em Berlin.

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Depois seguimos para Füssen, uma cidade pequena e pitoresca cercada de montanhas nevadas. A real atração lá são os castelos de Neuschwanstein e Hohenschwangau, que ficam nas redondezas. Na primeira noite achamos um restaurante chamado Herzl am Rathaus, onde eu e meu pai dividimos o maior prato de wiener schnitzel da história (pedimos dois, eles entenderam que era só um, e graças a deus).

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Pegamos neve no Neuschwanstein (: Só um pouquinho, mas rolou uma fotinho bucólica.

Depois ainda visitamos Munique e Stuttgart. Tudo com muita comida alemã e poucos canecos de cerveja (de um litro).

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De Stuttgart fomos para Budapeste (próximo post!) e na volta eu fiquei alguns dias com meu irmão na cidade onde ele está estudando, Karlsruhe. Fizemos uma pequena viagem de compras para Mannheim, ali por perto, e comemos em um restaurante turco muito bom que ele conheceu quando morou lá para estudar alemão. Além disso, cozinhamos com cogumelos, salmão (congelado, but still) e knödels (que são bolas de pão ou batata super legais que no mercado tem prontos em caixinhas).

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Ah! E last but not least: patinei no gelo! É muuuito legal.

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Agora já perdi a vergonha… próxima parada é Budapeste (;

salada refrescante de quinoa

Estou de volta! Depois de um mês de negligência, tanto cozinhar quanto escrever no blog estão na lista de coisas para me dedicar em 2014. Não pretendo sumir assim de novo… mas convenhamos que foi por um bom motivo, né? Encontrei muitos lindos lugares e comidas deliciosas durante as três semanas que passei viajando pela Europa. Além do restaurante do Jamie Oliver (que não me contive e postei imediatamente), tem muito mais coisa para contar. Ainda nem baixei as fotos para o computador, mas aos poucos vou postando tudo por aqui.

E desde que voltei, na semana passada, as coisas também não pararam. Já me despedi de uma amiga que vai conquistar os veículos de comunicação espanhóis nos próximos seis meses, virei professora de inglês e aparentemente peguei uma virose. O maior choque mesmo está sendo lidar com esse calor insuportável que faz aqui em Santa Catarina… (nem me contem como está em outras partes do país).

Então nessa troca do frio pelo calor, dos excessos de viagem para a volta à vida normal, tenho tido vontade de comer saudável. Vontade mesmo. O que hoje satisfiz com uma saladinha de quinoa com pêra, nozes e hortelã.

ingredientes
hmmm, ingredientes fresquinhos (:

 

Salada refrescante de quinoa
(serve 3 pessoas)

1 xícara de quinoa em grãos (eu usei mista)

4 pêras bem firmes e geladas

1/2 xícara de nozes picadas

1 xícara de folhas picadas (eu usei alface roxa)

hortelã cortada em tiras (eu usei o que aparece na foto, umas 10 folhinhas)

suco de limão e azeite de oliva para temperar

lascas de queijo grana para finalizar

 

Preparo

A primeira coisa a fazer é cozinhar a quinoa. Eu segui as instruções da caixinha: uma parte de quinoa para duas de água, cozinhando como arroz. O tempo de cozimento para uma xícara foi de aproximadamente 15 minutos (1/2 demora um pouco menos). Mas em vez de temperar ela com sal, eu coloquei apenas alguns cravos na água enquanto cozinhava. Tem que tirar um por um quando fica pronto.

quinoa

na verdade tinha quaaase uma xícara

 

Depois disso, deixe a quinoa esfriar. Eu não tive muita paciência e coloquei ela debaixo do ventilador, na geladeira e no freezer… ainda assim não tinha gelado completamente até eu servir.

Aproveite o tempo para cortar as folhas em tirinhas, fazer as lascas de queijo (eu fiz isso com uma faca), etc… Só deixe as pêras para cortar na hora.

Com a quinoa fria, adicione a alface, a hortelã e as nozes e tempere com suco de limão e azeite de oliva a gosto. Eu usei o suco de um limão, porque era só o que tinha, mas gostaria de usar mais. Se a sua casa estiver extremamente quente como a minha, deixe a mistura na geladeira enquanto descasca e corta as pêras em pedaços. Depois de cortar cada pêra, esprema um pouco de suco de limão por cima para que ela não oxide enquanto você prepara as outras. Finalmente, misture as pêras com o resto da salada e sirva com as lascas de grana e uma folhinha de hortelã para decorar.

salada de quinoa

 

P.s.: Logo logo, algumas notas turísticas e gastronômicas sobre a Alemanha, Hungria e Inglaterra! (;

Jamie Oliver em Richmond

Olá, pessoas! As festas de fim de ano foram movimentadas por aqui, viajando muito. Por isso ainda não apareci para dizer: feliz 2014! Na verdade ainda estou em Londres, acabei de chegar de volta ao hostel depois de um dia inteiro na rua. Mas tive que dar uma passada aqui para compartilhar minha alegria gastronômica de hoje.

Ainda no Brasil, fui pesquisar os restaurantes do Jamie Oliver em Londres para experimentar um deles. O Jamie Italian me atraía por motivos óbvios (dã, comida italiana) e eu também já tinha visto depoimentos de amigos que foram nele (vide a Lu em Dublin). Mas decidi ficar longe do movimentado Covent Garden e ir até Richmond, láá na zona 4 do metrô, para testar a recentemente aberta Trattoria da rede.

Richmond já é uma região super charmosa, perto do parque de mesmo nome (o maior royal park de Londres), e o restaurante parecia menor e mais aconchegante que os demais. O menu é reduzido em comparação ao standard do Jamie’s Italian, mas com opções suficientes para vários gostos. Tem massas, pizzas, um tipo de hamburger e opção de frango, steak e um peixe do dia – além de um prato especial do dia.

Fiz a reserva ainda no Brasil, no site, o que é bem simples e prático. Como nossa reserva era para 18h45, o restaurante ainda estava vazio quando chegamos, mas logo foi enchendo, e o nosso garçom – Paulo, que por coincidência é brasileiro, corria para atender todas suas mesas. Como ele nos contou, o restaurante abriu há seis meses e fica sempre movimentado à noite, então fazer reserva é importante. Mas aparentemente não tem muitos turistas se aventurando até Richmond para conhecer o restaurante, porque logo que descobriu que éramos brasileiros ele perguntou há quanto tempo morávamos em Londres.

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De antipasti, pedimos a focaccia com alecrim e uma tábua de frios que vinha com dois tipos de salame, mortadela com pistache e presunto de Parma. A focaccia vem com um azeite da Toscana, bem verde, e os embutidos acompanhavam uma conserva de berinjela com alho e azeitonas pretas que é feita no local (e que é uma delícia).

O prato principal eu já tinha escolhido de casa… O tagliatelle com trufas negras, manteiga, parmesão e noz moscada. Foi uma escolha bem feita. Eu nunca tinha comido trufas, e estava maravilhoso. Meu irmão pediu minha segunda opção – linguine com camarões, limão, chili e rúcula. O dele também estava gostoso, mas ele ignorou o chili no cardápio e se surpreendeu: é bem apimentado.

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As sobremesas não estão no menu. Elas estão listadas em uma plaquinha escrita a giz, o que pressupõe sua efemeridade… Na verdade as opções continuam as mesmas desde que o restaurante abriu, mas vão mudar de acordo com as estações. Por enquanto eles oferecem tiramisu, torta de chocolate, torta de frangipane com framboesas e sorvete com calda de chocolate ou frutas. Eu comi o tiramisu e meu irmão a torta de chocolate, ambos muito bons. Infelizmente, descobri que não posso mais comer uma sobremesa inteira… Me deu um sugar rush absurdo depois de terminar o copo, que achei bem grandinho.

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Afinal, saímos felizes e muito bem alimentados com uma conta de £50 para duas pessoas, incluindo bebidas (um aperol spritz para mim e uma cider para o meu irmão), e ainda ganhamos desconto de £10 com uma promoção de ano novo que recebi por e-mail e que vale até o fim de janeiro. Para quem não quer jantar, o lugar tem um balcão e funciona também como bar – durante os dias de semana, entre 17h e 19h, quem pede bebidas ganha aperitivos que variam a cada dia.

Veredicto: recomendo.

Para quem não conhece Londres, chegar em Richmond não é difícil – a forma mais fácil é pegar um trem marcado “Richmond” na District Line no sentindo Westbound do centro de Londres. Aqui as linhas de metrô têm ramificações, e Richmond é a última estação em uma delas. Então só precisa prestar atenção se o trem vai para lá, o que estará marcado na plataforma e na frente do trem. Nós tínhamos um passe de metrô só para as regiões 1 e 2, mas colocando 3 libras de crédito no Oyster card fomos e voltamos. Agora no inverno o tempo é mais complicado (e escurece rápido demais), mas vale a pena fazer reserva para mais cedo é passear pela região e pelo parque antes de jantar.

omelete à rodrigo santoro

omelete

Já contei como aprendi a fazer omelete com o Rodrigo Santoro? Pois então, em Florianópolis tem um festival de cinema chamado FAM – Fórum Audiovisual Mercosul, que é gratuito e acontece todo ano. Em 2007, a abertura do festival teve a pré-estréia do filme “Não Por Acaso”, e se não me engano a Letícia Sabatella foi lá falar sobre o filme (eu nunca sei quem é quem nas celebs brasileiras). Pois bem, o Rodrigo Santoro está no filme, e a certo ponto o personagem dele faz uma omelete — e explica o segredo para ela ficar fofinha. É a única coisa que eu lembro.

Até então, eu só fazia ovos mexidos. A partir daí, comecei a fazer omeletes douradas e macias.

E omelete é sempre uma boa opção para aproveitar o que tem na geladeira e improvisar uma janta rápida. Foi o que eu fiz ontem, com queijo branco, peito de peru, cebolinha e algumas folhas de rúcula da horta para acompanhar. Eis a escola Rodrigo Santoro da omelete:

Omelete

Ingredientes

2 ovos

sal e pimenta do reino a gosto

recheio da escolha (queijos, cebola, ervas, tomate, presunto, bacon, cogumelos, …), devidamente picado/fatiado/preparado

Modo de preparo

Faz muito tempo que vi esse filme, então não lembro exatamente o que é dica do personagem e o que desenvolvi com o tempo… mas aí vai. Primeiro quebre os dois ovos em uma tigela e tempere com sal e pimenta. Pense no recheio — se tiver ingredientes muito salgados, como alguns queijos e o bacon, coloque menos sal. Adicione as ervas.

Segredo n.1: bata bem com um batedor de ovos (ou um garfo. mas compre um batedor de ovos, tem por menos de dois reais e é ótimo). Deixar os ovos bem misturados e “espumadinhos” vai deixar sua omelete mais fofa. Depois que estiver batido, acrescente os outros ingredientes mais pedaçudos e misture levemente.

Em uma frigideira pequena (eu usei uma de aproximadamente 20 cm), aqueça um fio de azeite. Despeje a mistura da omelete e abaixe o fogo até o mínimo. O objetivo da frigideira pequena é que os ovos não se espalhem, e formem uma omelete mais alta. O fogo baixo serve para cozinhar bem os ovos no centro, sem queimar embaixo.

Quando os ovos estiverem quase totalmente cozidos e a omelete estiver dourada por baixo, vire com uma espátula. A parte líquida que sobrou em cima e um pouco dos ingredientes do recheio, se tiver muito, vão escorrer pelos lados… mas não faz mal. É só colocar a omelete virada em cima que tudo vai se juntar novamente. Ainda em fogo baixo, cozinhe até dourar o outro lado. A omelete estará pronta, dourada, fofa e completamente cozida por dentro (:

Eu sei que tem gente que em vez de virar a omelete, dobra ela. Talvez isso seja o certo, e pode ser mais fácil. Mas a minha eu faço redondinha, do tamanho da frigideira (na foto, eu dobrei a omelete depois de pronta), para não ficar grossa demais e cozinhar de forma homogênea.

Alguém aí tem outras sugestões de recheio pra omelete?